Saúde
Cientistas brasileiros aceleram chegada de terapia para tratar linfoma e leucemia no SUS
Desenvolvida em universidades paulistas, produção própria de células CAR-T entra em fase final de testes

Por: Elis Rastoldo e Giovana Kupper

Pesquisa facilita o tratamento, que passa a ter custo mais acessível | Divulgação: Agência Aids

Com Agência de Notícias da Aids

O pesquisador Vauber Rocha, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), estima que o tratamento com células CAR-T pode estar no SUS (Sistema Único de Saúde) em até dois anos para o tratamento de linfoma e leucemia. As pesquisas foram conduzidas nos hospitais de clínicas da USP de Ribeirão Preto e São Paulo, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), além do Hospital Sírio Libanês e do Beneficência Portuguesa.

As CAR-T são células do sistema imune (conhecidas como linfócitos T) extraídas do paciente e modificadas para atacar tumores. A terapia pode chegar ao sistema público a partir de um projeto incubado no campus de Ribeirão Preto da universidade, que desenvolveu uma produção própria das CAR-T, reduzindo os custos do tratamento oferecido no Brasil a preços milionários.

Apenas três produtos são aprovados pela Anvisa: Kymriah (ti-sagenlecleucel) da Novartis; Yes-carta (axicabtageno ciloleucel), da Gilead/Kite Pharma e Carvykti (ciltacabtagene autoleucel) da Johnson and Johnson. As terapias chegam a custar R$ 2 milhões.

A terapia, que integra a chamada medicina de precisão, consiste em retirar células do paciente e modificá-las geneticamente para capacitá-las a destruir células cancerosas. Os estudos estão em fase de  teste clínico e devem ser apresentados à Anvisa em um ano, afirma Rocha. A estimativa foi compartilhada por ele durante o congresso Onco in Rio, organizado pela Rede D’Or.

“Nós experimentamos uma nova forma de fazer e percebemos que os resultados ficaram parecidos ao que se tem na literatura a respeito. O Ministério da Saúde fez um investimento na pesquisa que viabilizou estudar um grupo de 81 pacientes”, diz Rocha. 

 

Desse grupo, 20 apresentaram melhora. Rocha afirma que os resultados dos demais são sigilosos e só poderão ser divulgados depois de entregues à Anvisa, no pedido de aprovação. A Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde) afirma que 1,48 milhão foi o valor investido no estudo da USP pelo Ministério da Saúde.

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