Sua vida sua marca
Conteúdos que não agregam valor, mas levam influencers à riqueza

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QUEM ESTÁ NO CONTROLE?

“Se eu disser pule do penhasco, você vai pular? Não!” Qual seria a sua reação se um influencer digital dissesse esta frase? Bom, caso você não saiba, ela já foi dita por Carlinhos Maia, um digital influencer conhecido nas redes sociais por seus milhares de seguidores e algumas -várias- ações controversas. Carlinhos já foi considerado um dos maiores sucessos das redes sociais pela Forbes Under 30. Se está lista é considerada válida ou não – por sua questionável classificação – fica para um outro momento.

MERCADO DA INFLUÊNCIA NO BRASIL

O Brasil é o país com mais influenciadores digitais no mundo, com mais de 10,5 milhões no Instagram, cada um com pelo menos mil seguidores. Segundo a pesquisa da Nielsen, o Brasil está em primeiro lugar nesse ranking. Além disso, cerca de 500 mil desses criadores têm mais de 10 mil seguidores. Quando se incluem YouTube e TikTok, o Brasil fica em terceiro lugar no mundo.

Como já visto, o mercado de influenciadores digitais está crescendo em todo o mundo, impulsionado pela febre das redes sociais e pela capacidade dos influenciadores de engajar grandes públicos. Contudo, a relação entre os influenciadores e seus seguidores é baseada em pilares como confiança, proximidade e autenticidade, mas ela não é imutável e pode se romper se houver uma quebra na percepção de autenticidade ou transparência.

Pensando nisso, o desejo por uma conexão emocional, combinado com o uso excessivo das redes sociais, tem sido associado a problemas de saúde mental. Com o aumento no número de pacientes, especialmente entre jovens e adultos, o psicólogo Davi Rodriguez Ruivo Fernandes, especialista em Psicanálise e Saúde pelo Instituto de Ensino Hospital Israelita Albert Einstein, tem observado que a exposição constante e a comparação nas redes muitas vezes estão ligadas a sintomas como ansiedade, baixa autoestima e, em casos mais graves, transtornos de imagem corporal e alimentares.​

Ele aponta que a adolescência é uma fase crucial para a construção da identidade e do sentimento de pertencimento. Jovens e adolescentes que enfrentam novas normas sociais e estilos de vida diferentes dos das gerações anteriores são especialmente afetados pela busca de validação nas redes. Curtidas, comentários e seguidores são vistos como sinais de aceitação, o que torna as redes sociais um espaço para inseguranças e comparações, especialmente entre jovens de baixa renda que têm menos acesso a atividades de lazer fora das telas.

“Quando os jovens se conectam às redes, muitas vezes esse é o único espaço de interação social acessível e gratuito”, ressalta o psicólogo.

Com relação ao mercado de influenciadores e às novas formas de consumo, publicidade e divulgação, Davi Rodriguez também destaca os perigos da ludopatia, o vício em jogos de azar, especialmente em plataformas online que condicionam o cérebro ao prazer imediato e contínuo, um cenário que pode acarretar consequências neurológicas e sociais a longo prazo.

Vale ressaltar que a saúde mental na era digital requer atenção tanto da população quanto do sistema de saúde, com o objetivo de equilibrar o uso das redes e valorizar as interações e experiências fora do ambiente virtual. Ainda mais porquê, segundo levantamento da Comscore, o Brasil é o terceiro maior consumidor de redes sociais no mundo, atrás apenas da Índia e Indonésia e à frente dos Estados Unidos, México e Argentina.

A análise “Tendências de Social Media 2023” revela que os 131,5 milhões de usuários de internet no Brasil têm passado cada vez mais tempo nas redes sociais. Em dezembro de 2022, a categoria registrou 356 bilhões de minutos de uso, o equivalente a 46 horas mensais por pessoa, um aumento de 31% em relação a janeiro de 2020. As redes sociais superaram o tempo de uso em outras categorias, como serviços, entretenimento e finanças.

ENTREVISTA COM GUSTAVO GAIOFATO

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Por Juliana Santoros/@aolhonu.photo/Divulgação UOL

De acordo com um estudo da multinacional Nielsen Media Research, mais de 500 mil pessoas atuam como influencers no Brasil, com no mínimo 10 mil seguidores cada. O professor de história Gustavo Gaiofato explica que o país teve um grande retrocesso em relação ao reconhecimento de trabalho e o fácil acesso a tecnologia e o processo de digitalização, auxiliando para que as pessoas acreditem que ser blogueiro e toda essa “vitrinização” seja fácil.

“Esse fenômeno vem com uma adesão tão grande muito mais por consequência desse processo sociológico da precarização das situações de trabalho, o acesso a internet muito grande e ao mesmo tempo a ausência do entretenimento e do lazer alternativos.” explica o professor de história, criador de conteúdo e reivindicalista, com mais de 250 mil inscritos no YouTube.

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