O Brasil registrou 354 casos de violência política entre 28 de outubro de 2024 e 15 de agosto de 2026, uma média de uma ocorrência a cada 44 horas, segundo a 4ª edição do estudo “Violência Política e Eleitoral no Brasil”, realizado pelas organizações de direitos humanos Terra de Direitos e Justiça Global

Ato de mulheres por direitos e liberdade | Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Embora ocupem cerca de 18% dos cargos legislativos no país, as mulheres representam 50,6% das vítimas de violência política, segundo o levantamento. Dos 27 episódios de ataques coletivos registrados, sete tiveram exclusivamente mulheres como vítimas. Em dois deles, toda a bancada feminina foi atingida.
O recorte racial mostra que 64 dos 179 casos contra mulheres atingiram mulheres pretas, o equivalente a pouco mais de um terço. Considerando pretas e pardas, as mulheres negras foram alvo de 81 dos 354 ataques, ou 22,9% do total. O levantamento também identificou quatro vítimas indígenas e uma amarela.
As mulheres foram maioria entre as vítimas pretas, sendo alvo de 64 dos 84 episódios registrados contra esse grupo. A pesquisa também identificou 11 vítimas que eram mulheres trans ou travestis.
Tipos de violência
Os ataques apresentam diferenças conforme o gênero das vítimas. Na violência física, que inclui assassinatos, agressões e atentados, os homens foram 77,2% dos alvos. Já na violência simbólica, caracterizada por ofensas e ameaças, as mulheres representaram 58,3% das vítimas.
As mulheres foram alvo de todos os 31 casos de ameaças de violência sexual e dos 67 episódios com conteúdo de conotação sexual ou comentários sobre o corpo e a aparência.
“A violência política precisa ser enfrentada porque sua reprodução impede justamente uma participação plena e efetiva de determinados grupos e corpos”, afirma Franciele Petry, uma das coordenadoras da pesquisa, à Agência Brasil.
A violência se concentrou na esfera municipal: 63% dos casos atingiram representantes da política local, como vereadores e prefeitos. Vereadores e vereadoras foram alvo de 176 episódios, correspondentes a 49,6% do total. Isso equivale, em média, a três episódios de violência para cada mil vereadores eleitos em 2024.
“A pesquisa mostra que inclusive grupos criminosos e até mesmo policiais estão entre os responsáveis pelos atos de violência. Estamos diante de um cenário que ameaça não apenas a vida de representantes políticos, mas também o funcionamento das instituições democráticas”, afirma Glaucia Marinho, diretora executiva da Justiça Global.