Institucional
III Semana da Comunicação debate Rousseau e o teatro
Evento reuniu FAPCOM e UFMA para discutir arte, sociedade e formação crítica

Por: Gabriel de Brito, João Marcelo Aguilera e Pablo Pateis

Professor Helderson Mariani Pires durante a palestra “Rousseau e o Ofício do Ator” | Gabriel de Brito

A palestra “Rousseau e o ofício de Ator”, ministrada por Helderson Mariani Pires e coordenada por Luciano da Silva Façanha, integrou a programação da III Semana da Comunicação da FAPCOM ao propor uma reflexão crítica sobre o papel do ator e da arte na sociedade. Em parceria com a Universidade Federal do Maranhão, o encontro conectou o pensamento de Jean-Jacques Rousseau a debates atuais, como o avanço da inteligência artificial e das redes sociais, levantando questionamentos sobre autenticidade, representação e os limites entre o “ser” e o “parecer” no mundo digital.

Durante o encontro, o professor percorreu desde as origens do teatro na Grécia Antiga até as críticas formuladas por Jean-Jacques Rousseau no século XVIII. A partir da “Carta a d’Alembert”, Rousseau é apresentado como um pensador que questiona o espetáculo teatral por estimular o “parecer” em detrimento do “ser”, enxergando o ator como alguém que vive da representação e da sedução pela aparência. Nesse sentido, o ofício do ator seria marcado por uma dimensão de alienação e até de servilidade, ao transformar a própria identidade em espetáculo. Além disso, o teatro é visto como um espaço que reforça paixões e vaidades sociais, podendo contribuir para a corrupção moral.

Para Helderson, o debate reforça o papel central da filosofia na formação de comunicadores. “A filosofia ilumina a comunicação”, afirmou, ao destacar que, em um mundo globalizado e marcado pelo excesso de informações, a capacidade crítica se torna cada vez mais necessária. Segundo o professor, “embora a técnica possa ser aprendida rapidamente, é a formação filosófica que sustenta uma comunicação mais profunda, ética e consciente.” Ele também apontou os riscos da superficialidade nas mídias atuais, onde a velocidade das imagens muitas vezes impede reflexões mais consistentes, reforçando a importância de uma formação que vá além do imediato e valorize o pensamento crítico ao longo da vida.

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