Cultura
De outra perspectiva: No mês da mulher, agenda cultural expressa empoderamento, cores e ancestralidade nas Fábricas de Cultura (SP)
As artistas Crica Monteiro e Fany Lima grafitam a fachada da Fábrica de Cultura do Capão Redondo. Ordalina Cândido expõe suas obras na Fábrica de Cultura de Diadema.

Por: Redação EntreFocos

Graffiti na fachada da Fábrica de Cultura do Capão Redondo – Reprodução

No início do mês de março, iniciou-se a renovação do mural do prédio da Fábrica de Cultura do Capão Redondo. Crica Monteiro é grafiteira, ilustradora e foi a desenvolvedora do projeto artístico ao lado de Fany Lima, que é artista visual, escritora de rua e arte-educadora. As duas foram as artistas convidadas para realizar a obra.

 

As Fábricas de Cultura de Diadema e Capão Redondo – da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e gerenciadas pela POIESIS – destacam, no mês de março, projetos artísticos produzidos por mulheres negras e periféricas.

 

A linguagem do Graffiti, assim como outros elementos do movimento Hip hop, está presente em intervenções e oficinas realizadas pelas Fábricas de Cultura. Em 2021, o artista plástico e grafiteiro Robinho Santana pintou um mural na fachada da 

 

Fábrica de Cultura Diadema, destacando a marginalização dos corpos negros e o direito à educação. No ano seguinte, a Fábrica de Cultura do Jardim São Luís realizou, no teto superior do teatro, um graffiti da artista Nene Surreal, a pioneira do ramo em São Paulo.

 

Para o site de mídia independente “Manda Notícias”, Fany Lima disse: “Antes de existirem as Fábricas de Cultura, no território “já existiam as fábricas de cultura”, que eram os saraus, os núcleos de Hip hop, as batalhas, capoeiras, os terreiros, enfim. E aí, a gente também entende isso como tecnologia. Tecnologia de sobrevivência, tecnologia de ancestralidade, tecnologia de conhecimento”. 

 

Seguindo a cultura local, as Fábricas de Cultura seguem trazendo artistas do Graffiti para imprimirem o movimento artístico em seus prédios e fachadas, destacando a identidade estética das periferias da cidade. 

 

Na região do grande ABC, na Fábrica de Cultura de Diadema, a exposição “Empoderamento em Cores” da artista plástica, empreendedora social e arte-educadora Ordalina Candido, nos transporta para o interior das raízes brasileiras. São retratados em suas obras, quilombos urbanos, histórias de pessoas e comunidades, com ricos detalhes nas cores e traços da população negra.

 

A produção artística de Ordalina atravessa continentes, tendo suas obras apresentadas em diversos países da Europa e Oceania. Ainda assim, ela preferiu manter seu ateliê no Jardim Inamar, periferia de Diadema e onde mora, como uma forma de manter a relação afetiva com a comunidade local. 

 

Com temas sobre raízes ancestrais, que relembram grandes nomes da história, além de expressar contextos urbanos, como as favelas, a artista pinta com pincéis, panos e unhas em pedaços de madeira. Sua representação de Anastácia Livre, feita sobre um pedaço de guarda-roupa inutilizado, imprime tais técnicas.

 

Ordalina em seu ateliê no qual ministra aulas de pintura em Diadema – Celso Luiz/DGABC/Reprodução

O social, inclusive, é tema principal na narrativa da artista, que acumula passagens ensinando arte em locais como a Fundação Casa e na organização social Rede Cultural Beija-Flor. Hoje trabalhando no Projeto Sensorial, de ensino de arte em São Bernardo, Ordalina ressalta a importância do impacto social para sua volta às artes, há 20 anos.

 

Em uma entrevista sobre sua trajetória para o jornal local “Diário do Grande ABC” a artista disse: “Sonho em ver um mundo feliz, bom e com pessoas felizes, por isso levo a arte, de qualquer tipo. Sei que, o que sonho, muitos sonham também”

 

A exposição conta com um espaço interativo e o público pode explorar a criatividade individual, além de se aprofundar na história da artista plástica. 

 

O período de visitação é de terça a sexta-feira, das 9h às 19h e sábado das 9h às 17h. A exposição ficará disponível até 17 de abril. 

 

Para mais informações, acesse o site das Fábricas de Cultura.

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