Cidades
Concessão do transporte público vira tema em Francisco Morato
Câmara Municipal prevê mudanças no transporte de ônibus da cidade baseadas em assembleias semanais com moradores

Por: Danilo Nunes

Veiculo Auto Ônibus Moratense de 2026 | Instagram Auto Ônibus

Em agosto de 2026 foi realizada a assembleia de anúncio das exigências da Câmara Municipal para a seleção da nova empresa responsável pelo transporte público de Francisco Morato. A reunião trouxe como foco de mudança para o ano seguinte as solicitações da população pautadas em reuniões passadas que o tema transporte esteve em destaque. Cidadã honorária moratense e participante das assembleias da cidade, Elisabete Ribeiro relatou sobre como era o município antes da empresa Auto Ônibus Moratense assumir o transporte, em 1982, e quais os pontos de melhorias que foram apresentados nas reuniões para que fossem trazidos como exigências da licitação pública.

Cerimonia de honraria para cidadãos honorários de Francisco Morato | Arquivo pessoal

DNー Como se iniciou o transporte público na cidade de Francisco Morato?

Elisabete ー O transporte público de Morato, ele começou com os trens da ferrovia no século XIX, Morato era Vila Belém, depois passou a ser Francisco Morato, por volta de 1867, a inauguração da ferrovia Santos-Jundiaí, era o que trazia as coisas lá do interior.

E a cidade ficou de forma organizada com o auto ônibus moratense, que está no município desde 1982, antes, o transporte era feito por animal, devido as ruas serem de terra e não tinha como ir ônibus nas ruas tinham poucas vias para poder passar os ônibus e nem tinha espaço, na maioria.

DN ー E quando você começou a utilizar o transporte na cidade?

Elisabete ー Em Morato, eu comecei em 86, Na época, eu pegava o ônibus para o trabalho até a estação ferroviária, vinha para o trabalho, voltava do trabalho, pegava o ônibus, ia para a escola, estudava à noite, aí, quando eu saía da escola, pegava de volta para casa. Na época, eu morava no 120 (Parque 120).

DNー No final dos anos 90 em São Paulo houve um aumento significativo de passageiros trocando os ônibus por peruas, o transporte alternativo na época, como você correlaciona o transporte alternativo da época com os carros por aplicativos atualmente?

Elisabete ー Mas, assim, na época as peruas eram clandestinas, não era uma empresa registrada se acontecesse algum acidente, alguma coisa, você não tinha seguro nenhum. Você estava colocando sua vida em risco naquela época. Tem aplicativo, agora vamos voltar no aplicativo. Tem aplicativo em Morato que funciona legal, mas tem uns que é ilegal. Aqueles que ficam oferecendo, quer subir, quer ir para tal lugar aquele ali é ilegal.

DN ー E você costuma utilizar os aplicativos?

Elisabete ー Costumo pegar carros por aplicativo, mas eu só pego os legais.

DNー E o que faz você escolher entre as duas opções mais comuns no cotidiano do moratense, o ônibus e o aplicativo?

Elisabete ー Hoje em dia, né? Ah, geralmente eu pego mais o ônibus. Só que, no caso de chuva, como lá na cidade alaga. Quando eu vejo a chuva, eu caio no aplicativo. Porque o ônibus ainda tem limitação do ponto, te deixando no ponto, você tem que ir andando de qualquer jeito.

DNー Falando agora da Auto Onibus moratense, quais foram os pontos de atenção relatados nas reuniões semanais sobre o serviço da empresa?

Elisabete ー Ela está deixando algumas coisas a desejar. O ponto de ônibus não é coberto. ele teria que ter uma cobertura e um assento para a pessoa que tem as necessidades tipo os cadeirantes, que ficam esperando ali.

DNー Uma nova empresa para o transporte público de Francisco Morato, na sua opinião, é o que precisa a cidade para ter uma melhora no serviço?

Elisabete ー Para entrar uma empresa nova, eles têm que analisar bem. Devido a ter muita coisa a desejar pela Moratense. Entendeu? Tipo espera, o terminal ali organizar, o ponto dos terminais está tudo desorganizado, o tempo de espera também teria que colocar uma frota bem grande, são 23 linhas. Não adianta colocar 23 ônibus para operar. Coloca mais, solta mais ônibus. O ar-condicionado tem que ter, porque, antes, bem lá atrás era só aquele tampão, era o ar-condicionado. Aí, de 2006 em diante, eles colocaram o ar, mas só alguns têm, não todos.

DNー Para encerrar gostaria de saber se você acredita que a presença popular nas assembleias destacando os defeitos nos serviços prestados influenciou nas mudanças apresentadas na nova licitação?

Elisabete ー Cada assembleia que a gente vai tem um tema diferente, não é sempre o mesmo tema, mas eles falavam muito do transporte, que teria que mudar muita coisa. Eles falavam dos pontos, porque tem ponto que é só uma varinha indicando que é ponto.Tem que ter cobertura, assento para as pessoas com mobilidade reduzida.

DNー E suas expectativas para as mudanças, que virão, são mais positivas ou negativas?

Elisabete ー Espero sempre positivo. A gente espera as mudanças positivas, igual citei os pontos de ônibus, a demora, quem fica esperando os pontos, né? E colocar mais ônibus na frota.

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