Cultura
Bienal do Livro de São Paulo tem maior edição dos últimos 10 anos
Evento que durou 10 dias recebeu mais de 700 mil visitantes, com um aumento do público de 9,32% comparado a 2022

Por: Redação EntreFocos

Evento com 75 mil m² contou com 227 expositores e mais de 3 milhões de livros | Foto: Reprodução/Bienal do Livro de SP

A 27ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo ocorreu entre os dias 6 e 15 de setembro no Distrito Anhembi em um clima de festa. O maior evento de livros da América Latina concluiu seus 10 dias de atividades com um feito histórico: o maior público dos últimos 10 anos, com a presença de 722 mil visitantes, um número 9,32% maior que a última edição, que aconteceu em 2022.

O evento, que proporciona o encontro de diferentes leitores com novos livros e autores, é essencial  para o país, nas palavras de Gabriel Calamari, autor do livro Porto Seguro: “O Brasil precisa de Bienal, o Brasil precisa de mais leitura, um país que não lê é um país que não aprende, é um país que escreve mal. Então vir aqui e ver a Bienal cheia é aquele pontinho de esperança que a gente precisa para seguir, para ter coragem de colocar uma história no mundo”.

O país ainda enfrenta uma triste realidade: um índice de 7,0% da população analfabeta, segundo o Censo 2022. Dado agravado quando o assunto é analfabetismo funcional (quando a pessoa possui dificuldades para compreender textos simples e realizar tarefas que envolvem a leitura e a escrita), o número sobe para 29%, entre pessoas de 15 a 64 anos, segundo dados do Inaf (Indicador de Analfabetismo Funcional) divulgado pelo IPM (Instituto Paulo Montenegro) e pela ONG Ação Educativa, em 2018.

Gabriel ressalta a importância de ações do governo e outros órgãos para o incentivo da realização de eventos como a Bienal. “Esse evento merece todo tipo de incentivo de governo, de iniciativa privada e ver a Bienal cheia é ver meu coração cheio, apesar de ser pessimista em relação a tudo que está acontecendo (sobre os níveis de analfabetismo), eu fico feliz e acho que o brasileiro tem de ler mais, então é muito importante”.

Ações de incentivo a leitura são anunciadas na Bienal

O evento contou com os incentivos de cashback (retorno no valor do ingresso em consumo) aos visitantes e R$ 7 milhões em vales-livro, no valor de R$ 60, distribuídos aos 123 mil alunos e servidores da rede municipal de ensino, para compra de livros. Na abertura da Bienal (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcou presença e aproveitou a oportunidade para fazer anúncios políticos na área.
Lula, ao lado do ministro Jader Filho (Cidades), anunciou a criação de bibliotecas comunitárias nos condomínios habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida. A proposta define que será obrigatória a presença dos espaços nas unidades habitacionais, o acordo foi assinado por Filho e a ministra Margareth Menezes (Cultura) que serão responsáveis pela implementação.
Em outra decisão, com o ministro Camilo Santana (Educação) e Menezes, o presidente também anunciou um decreto que regulamenta a PNLE (Política Nacional de Leitura e Escrita) em conjunto com as duas pastas, para o incentivo a leitura, além da criação da nova PNLL (Política Nacional de Livro e Leitura).
Santana também anunciou a compra de acervo literário para o PNLD (Programa Nacional do Livro e do Material Didático Infantil) com investimento de R$ 50 milhões. Além de um edital de equidade com livros que abordem a cultura dos povos afro-indígenas e afro-brasileiros e com temática dos direitos humanos.
Além das figuras políticas brasileiras, o evento contou com a presença de Juan David Ulloa, ministro da Cultura, Artes e Saberes da Colômbia, país de honra convidado para o evento. Com a temática “A selva e suas histórias possíveis”, inspirada na arquitetura e natureza da Amazônia colombiana, o estande de 300 m² contou com a presença de uma comitiva com 17 autores do país, chefs de cozinha e grupos musicais, incentivando o diálogo cultural entre os dois países com atividades de imersão na literatura e cultura colombiana.
BIENAL EM NÚMEROS – A feira literária contou com 2.000 horas de programação, a presença de 683 autores nacionais e 33 internacionais, além de 3,65 milhões de livros entre os 227 expositores. Esses dados, levantados pela Secretaria Municipal de Turismo (SMTur), por meio do Observatório do Turismo e Eventos da SPTuris, também mostraram que o ticket-médio foi de R$ 208,14.
Dos 722 mil visitantes, 54,6% eram da capital paulista, o restante veio da região metropolitana de São Paulo (22,5%), do interior do estado (15,9%) e de outros estados (7%). O público feminino foi a maioria com 69,8% dos visitantes, 28,5% masculino, 1,2% outros e 0,5% que não responderam. Cerca de 312 mil visitantes eram da faixa etária dos 18 aos 24 anos.
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