Com Agência Brasil

Mortes entre trabalhadores rurais cresceram 100% em comparação com 2024 | Reprodução/ASSIN (Associação dos Servidores do Incaper)
A 40ª edição do relatório “Conflitos no Campo”, que ocorreu no ano passado, fala sobre as disputas por terras no interior dos estados brasileiros e mostra um aumento de 100% nas mortes em relação a 2024, apesar da diminuição dos conflitos em aproximadamente 27%. Os ataques surgem principalmente de fazendeiros, empresários e governanças, tendo como vítimas indígenas, quilombolas e comunidades sem terra.
O número de conflitos chega a 1.593 e a maior parte deles se deve por disputa de territórios, mas também houve confrontos trabalhistas e por mananciais de água, o número de 2024 chegou a 2200. Mesmo com menos conflitos, a violência ficou mais grave: 26 pessoas foram assassinadas, destacou Cecília Gomes, da coordenação nacional da Comissão Pastoral da Terra.
“Nesse rol da violência no campo, esse é o número que nos choca, porque não é só número: são vidas, são comunidades, são organizações, são famílias.”
“O maior interesse ali é político”, afirma Lincoln Fernandes, seringueiro de Rondônia, que foi expulso do lugar onde morava por fazendeiros. Segundo ele, além das expulsões, há registros de assassinatos e trabalho escravo.
“Estão dizendo que são pequenos agricultores, mas se forem ver, são fazendas gigantescas, tem pista de avião lá dentro, tem 218 mil cabeças de gado, e várias mansões lá dentro.
Existem 159 registros de trabalho análogo à escravidão no campo, um aumento de 5% em relação ao ano anterior, afetando milhares de trabalhadores, com 1.991 sendo resgatados. O principal caso aconteceu no Mato Grosso, na construção de uma usina, onde ocorreram quase 30% dos resgates.