Comportamento
Gerente de restaurante de luxo conta como atende celebridades
Entre a admiração por receber clientes conhecidos e a responsabilidade de manter a formalidade, o trabalho exige mais do que um bom atendimento

Por: Nickolas Garcia

Ezequias Santos no lobby do Hotel Grand Hyatt São Paulo | Nickolas Garcia

No Grand Hyatt São Paulo localizado na região do morumbi, um dos mais premiados hotéis de luxo do Brasil e o primeiro da marca Hyatt na América Latina a ganhar o prêmio Green key, Ezequias Santos comanda a gerência do restaurante cittadino que fica no lobby do hotel. O gerente convive com uma rotina em que personalidades famosas podem estar presentes entre as mesas, mas a postura profissional precisa permanecer a mesma e sem que demonstre qualquer tipo de informalidade. Ele comenta como é lidar com esse tipo de cliente que, muitas vezes, já é conhecido do público antes mesmo de atravessarem a porta do restaurante. O profissional relembra quando atendeu o presidente dos Estados Unidos  George W. Bush e conta que o restaurante foi fechado exclusivamente para o chefe da nação norte-americana. Ezequias também fala sobre a política de privacidade que é estabelecida para antes de qualquer contato com celebridades nesse tipo de local, e de como de começo foi difícil lidar com toda essa pressão e com o passar dos anos trabalhando e acostumando foi essencial para desempenhar um bom trabalho no hotel que hoje trabalha.

 

NG: Você lembra da sua primeira experiência com um famoso? Onde foi?
Ezequias – A minha primeira experiência foi no hotel em que eu trabalhei, luxuoso também, porque até hoje eu só trabalhei em hotéis luxuosos. E quando ele veio [Famoso], a gente [Hotel] teve contato, teve aquele susto, mas como a gente tem uma política de privacidade que não pode importunar nenhum dos nossos hóspedes famosos, eu só fiquei um pouco assustado, abismado, mas nada que atrapalhasse a minha atenção e o meu serviço com essa pessoa.

NG: Você se sente confortável em atender pessoas famosas atualmente?
Ezequias – Hoje, sim. No início, não tanto, porque sempre rolava um pouco de ansiedade, mas hoje, pelo meu trabalho, me sinto mais à vontade para conduzir essa interação, que eu também tomo total tranquilidade com os famosos e pessoas que vêm aqui usufruir do nosso hotel no dia a dia.

NG: Qual foi o seu momento favorito ao conhecer ou atender algum famoso?
Ezequias – Eu acho que foi quando o presidente dos Estados Unidos esteve aqui com a gente. Foi o W. Bush esteve aqui no Brasil e todo o hotel foi reservado para ele. Eu acabei vendo um pouquinho de perto, porque a segurança era muito restrita, então não deixava a gente chegar tão perto, mas acabei vendo. Foi um momento muito singular.

NG: Você já atendeu alguém que era muito fã ou que admirava?
Ezequias – Eu não diria que eu tenho pessoas que eu sou fã. Tem pessoas que eu gosto, tem pessoas que eu admiro, mas que eu não seria um fãzaço. Mas uma pessoa que eu realmente gostei de ter atendido foi o Arnold Schwarzenegger, que esteve aqui com a gente. Ele é bem simpático e eu gostei muito de ter atendido.

NG: Qual foi algum momento ruim ou em que você se sentiu desconfortável atendendo algum famoso?
Ezequias – Eu acho que não. Só a gente ter o feeling de quando entrar, de quando sair, de quando conversar, sentir um pouco quando o hóspede ou o famoso quer ser atendido ou não. Fazer um serviço silencioso e assim a gente vai seguindo.

NG: Entre as pessoas mais famosas que você atendeu, quem mais te marcou?
Ezequias – Acho que foi o presidente do Estados Unidos e o Arnold. Os dois são bem famosos e que  assim que eu tive um pouco mais de ansiedade, nervosismo, mas que deu tudo certo no final.

NG: Algum famoso já trouxe uma grande quantidade de fãs e torcedores para o hotel e causou algum problema?
Ezequias – Na época que vieram pra cá foi o RBD, a banda RBD, o grupo RBD, que realmente encheu o lobby do hotel, a frente do hotel e ficaram muitas pessoas causando. Também uma banda de rock que é o Whitesnake, que também esteve aqui com a gente, como o Guns N’ Roses também na sua primeira estada conosco, entre outros.

NG: Para você, é mais difícil atender um hóspede que é famoso e você não conhece ou alguém que você conhece?
Ezequias – Acho que pra mim eu levo como naturalidade hoje, mas é um pouco mais detalhado você atender um famoso, como esteve aqui a Laura Pausini, e é uma pessoa bem legal, bem doce, mas você fica com um pouco isso e se algo der errado, é você que está em jogo, né?

NG:E você acha que o Grand Hyatt é o hotel mais difícil para lidar com essas situações?
Ezequias – Não, ele é bem fácil, até porque o hotel te dá liberdade pra você ser você e conduzir do seu jeito dentro dos padrões.

NG: Na hotelaria existe um treinamento específico para atender pessoas famosas ou isso é aprendido no dia a dia?
Ezequias – Na hotelaria você tem que ter um feeling, além dos treinamentos que a gente recebe de como atender pessoas famosas, você tem que ter um feeling de como você entrar e sair e colocar o seu jeito pessoal em cada detalhe.

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