Cidades
‘A gente paga mais pra entregar um serviço pior’
Usuária da Linha Verde, Ana Beatriz Moraes conta como lida com as adversidades da locomoção na cidade

Por: Lucas Pereira

Em meio a desafios no transporte da cidade de São Paulo, com trânsito constante, demora na locomoção e superlotação, governo Tarcísio e Nunes iniciam 2026 com aumento de tarifas (+6% no ônibus e de +3,85% no metrô), ônibus que “não tem espaço quase nenhum pra sentar” e concessão de linhas da CPTM, como a linha 12-Safira, com falhas técnicas. Em levantamento da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), realizado em 2024, mostra que 29,4% dos usuários abandonaram o transporte público desde 2017, enquanto 27,5% reduziram sua frequência. As principais justificativas apontadas são desconforto (28,7%), pouca flexibilidade (20,7%) e longos tempos de viagem (20,4%). De acordo com pesquisa feita pela Quaest, a avaliação negativa do transporte público de SP sobe 7 pontos, principalmente após a concessão da CPTM. Essa realidade é vivida por milhares de paulistanos, principalmente aqueles que moram nos extremos da cidade, assim como a estagiária Ana Beatriz, da Vila Prudente, que paga mais caro pelo deslocamento e ao invés de receber um serviço de maior qualidade experimenta o contrário. “Parece que a gente paga mais pra entregar um serviço pior ainda”.

Moradora da Zona Leste enfrenta desafios na ida e vinda para o trabalho | Lucas Pereira

 

LP: Na atual gestão de São Paulo, tanto do Ricardo Nunes quanto do Tarcísio, os preços das passagens subiram, você acha que esse aumento no valor também teve um aumento na qualidade do transporte?

Ana: Não, na verdade eu acho que piorou. O metrô principalmente, vive dando problema. Esse é o principal aspecto. Parece que a gente paga mais pra entregar um serviço pior ainda. E os ônibus também… aqueles ônibus verdes agora que, pra mim, não tem espaço quase nenhum pra sentar. É muito pouca cadeira. Diminuíram. A gente paga a mais e recebe um serviço abaixo.

LP: Em relação às concessões que o Tarcísio fez também nos trens, você acha que foram positivas? 

Ana: É, essas que são privadas eu acho que eu não cheguei a usar muito, né? Mas eu sempre vi a notícia que o pessoal sempre dava ruim na linha, né? Graças a Deus, na época que eu não tava usando e ainda não uso.

LP: Quando o Nunes, anunciou os ônibus elétricos um dos maiores chamarizes, foi a questão do meio ambiente, você acha que eles estão realmente tendo efeito nesse sentido? 

Ana: Olha, eu acho que nessa parte sim. Que nem carro elétrico, né? Antigamente eles usavam o elétrico de outra forma, por fio. Esse eu acho que tinha que já descartar. E deixar só esse verde. Com fio, às vezes dá problema quando o cabo em cima dá ruim e chega para todo o corredor de ônibus.

LP: O prefeito Nunes, no anúncio dos ônibus elétricos, mencionou também muito que esses novos veículos estão cheios de tecnologia. Contendo Wi-Fi, acessibilidade completa, carregador USB, ar-condicionado… nos últimos ônibus elétricos que utilizou, você sentiu que tinha tudo isso mesmo?

Ana: Esse elétrico, acho que eu nunca vi esse carregador USB. Lembro de ter nos ônibus antigo, mas às vezes também não está funcionando o USB. Mas esses ônibus elétricos, eu não cheguei a reparar se tinha, e eu acho que não tem, porque geralmente eu presto atenção nessas coisas, porque às vezes eu uso.

LP: Sobre a questão da acessibilidade, você acha que normalmente tem? Está tudo funcionando corretamente?

Ana: Olha, no tempo que eu comecei a usar esse elétrico, nunca peguei um que tivesse um cadeirante que precisasse usar. Mas, por exemplo, em relação às cadeiras preferências, eu acho pouco também.

LP: Em relação a frequência que os ônibus passam, como é que é no seu bairro?? Você acha que eles passam numa frequência boa ou eles demoram muito para passar?

Ana: Isso é um pouco relativo porque o que eu preciso demora. Para a minha casa eu pego um ônibus no terminal Vila Prudente, que demora muito pra passar. Mas lá mesmo, do lado de fora tem o ônibus “Shopping Aricanduva”, que passa a toda hora. Agora vai passar lá da minha parte, Divisa, São Caetano, Industrial, Bresser, eles demoram muito.

 

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