Por trás dos trens que circulam por São Paulo existe uma estrutura que vai muito além das operações dessas composições. A manutenção engloba muitas coisas que o usuário não vê. Para Ricardo Camargo, supervisor da CAF (Central Automotiva Ferrovia), os desafios do setor passam pela adaptação das equipes, pela disponibilidade de materiais e pela necessidade de aprimorar constantemente de protocolos de segurança. A matéria permite observar diferenças entre o sistema ferroviário brasileiro e o europeu. Após conhecer as composições em solo europeu, Camargo destaca investimentos maiores do governo espanhol, comparado com o brasileiro.

Ricardo Camargo, Chefe da equipe de manutenção, Linha 5 | Arquivo pessoal
RV: Qual a maior diferença entre a empresa estatal para a privada?
Camargo: Na parte da manutenção não tem muita diferença, porém a gente sabe que empresa privada tem um tempo, um range aí menor de tempo para conseguir equipamento e material, A empresa estatal tem estabilidade, os salários são melhores, mas aí com a terceirização gera bastante oportunidade, a gente viu que quando a terceirizada assumiu as linhas 8 e 9 teve bastante problema no início, eu vejo que é devido à falta de experiência, equipes novas iniciando nas atividades. A gente sabe que leva na demanda de um certo tempo pro pessoal se habituar aí com as atividades, com o dia a dia, tanto da manutenção, parte da segurança, plataforma, bilheteria.
RV: Qual a avaliação dos protocolos de segurança das empresas privadas?
Camargo: Sempre após algum acidente, fatal ou não, é realizada uma investigação bem aprofundada na causa, o porquê do acidente, são feitas melhorias, novos procedimentos, protocolos, para que o acidente ocorrido não venha a ocorrer novamente. Ou pelo menos seja minimizado. Uma forma de usar alguns EPI ou fazer algo pelo menos possa minimizar o perigo.
RV: Qual foi o posicionamento e melhorias das empresas, após os acidentes recentes?
Camargo: Tivemos até um tempo atrás na linha 11 um trem que pegou fogo, um trem da Série 7500. O posicionamento da CAF é fazer, ajudar, auxiliar na investigação, pra ver se o ocorrido foi por algum erro ou falha no sistema do trem foi o causador do acidente, a empresa, no caso, à CAF, ela tem que fazer estudos e novos procedimentos, para que isso não ocorra. Hoje a própria CAF tem um sistema de telemetria, que através dele é possível baixar registros, análises, gráficos, que é possível identificar qualquer defeito do trem.
RV: Qual a maior diferença ferroviária entre o Brasil e o exterior?
Camargo: Eu já tive o prazer de conhecer a CAF na Espanha e também conheci os trens de lá. A gente vê que a estrutura e o investimento dos governos europeus são bem maiores do que os nossos aqui na América Latina, no Brasil em si, lá a cultura é de preservar o patrimônio, patrimônio da gente mesmo. Aqui no Brasil a gente sofre muito com vandalismo, isso é uma pena.
RV: Existe diferença na fiscalização da empresa estatal para a empresa privada?
Camargo: As empresas seguem o manual de manutenção do fabricante. E é bem rígido esse controle, então não tem como ser diferente Tem os órgãos do governo que cuidam dessa parte, fiscalizam, então não há tanta diferença.