Cultura
Exposição no Sesc Ipiranga destaca diversidade cultural e saberes ancestrais
Mostra “Margem de Dentro” reúne 26 artistas nacionais para destacar a migração, a força periférica e a arte manual

Por: Giovanna Chaves e Isabella Mendes

A diversidade cultural brasileira ganha destaque na exposição Margem de Dentro: Não Vi o Bastante que Pensei Ter Visto Demais, que abriu na quarta-feira (7), no Sesc Ipiranga, na cidade de São Paulo. Com curadoria do artista visual Claudinei Roberto Silva, a mostra reúne mais de 50 obras de 26 artistas de diferentes regiões do país, propondo reflexões sobre a identidade nacional e as narrativas historicamente invisibilizadas.

Edi Cardoso no Cordão Carnavalesco da Dona Micaela.

Edi Cardoso no Cordão Carnavalesco da Dona Micaela / Crédito: Divulgação Sesc

Diversidade cultural

A exposição apresenta trabalhos em diferentes linguagens visuais, como pintura, escultura, gravura, fotografia, arte têxtil, luteria e muralismo. Com entrada gratuita, a mostra parte das relações históricas entre povos indígenas, africanos escravizados e colonizadores europeus para abordar a diversidade cultural e social brasileira.

Para o curador, a exposição também destaca a importância de aprofundar a experiência democrática no país, ampliando o espaço para as diferentes vozes que compõem a sociedade. Entre as obras, estão produções que dão visibilidade a grupos historicamente marginalizados, como mulheres de comunidades periféricas.

Um dos exemplos é o mural de Soberana Ziza, que estabelece um diálogo entre o interior e a cidade de São Paulo a partir da migração histórica de famílias. A obra também faz referência a Madrinha Eunice, primeira presidenta de uma escola de samba paulistana.

Manualidade e arte contemporânea

Outro eixo da exposição é a valorização de técnicas manuais e de materiais como cimento, cerâmica, madeira e tecidos. As obras resgatam saberes tradicionais relacionados à ferramentaria, à marcenaria e à tecelagem, além de estabelecer conexões entre conhecimentos populares e a produção artística contemporânea.

Segundo Claudinei Roberto Silva, essas práticas também permitem reconhecer a influência de técnicas ancestrais africanas na construção da cultura brasileira.

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