
Vacinação contra o HPV / Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo
A vacina contra o papilomavírus humano (HPV) passou a ser recomendada pelo Ministério da Saúde para crianças a partir dos 2 anos vítimas de violência sexual. A medida amplia a estratégia de imunização do Sistema Único de Saúde (SUS) considerando a vulnerabilidade das crianças expostas à violência e ao aumento dos registros de casos na primeira infância.
Até então, a vacinação contra o HPV para vítimas de violência sexual era indicada para pessoas de 9 a 45 anos. Com a nova orientação, crianças menores de 9 anos também poderão receber a vacina após avaliação médica e confirmação do episódio de violência.
Aumento dos registros de violência sexual na infância
A mudança ocorre em um cenário de crescimento dos registros de violência sexual contra crianças. Segundo dados do Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os registros entre crianças de 0 a 4 anos passaram de 1.671, em 2014, para 7.845, em 2024. Na faixa de 5 a 14 anos, os registros passaram de 6.594 para 29.135. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, o número aumentou de 1.632 para 6.869 casos.
A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Mônica Levi, explica que a vacinação nesse contexto tem como objetivo proteger a criança de futuras exposições ao HPV.
“A vacinação em casos de estupro e violência sexual não é uma profilaxia pós-exposição. É uma profilaxia para as próximas exposições”, explica Mônica.
Ampliação da vacinação começou a ser discutida em 2025
A possibilidade de ampliar a vacinação para crianças menores de 9 anos vítimas de violência sexual foi discutida na Câmara Técnica Assessora em Imunizações do Ministério da Saúde. Mônica Levi também participou da discussão e apresentou o tema ao grupo técnico.
A recomendação para esse público recebeu apoio dos participantes da Câmara Técnica, que avaliaram a necessidade de ampliar a proteção diante da possibilidade de exposição precoce ao HPV.
Como funciona a vacinação contra HPV
Na nova recomendação, crianças a partir dos 2 anos vítimas de violência sexual deverão passar por avaliação médica. Caso a vacinação seja indicada, elas poderão receber gratuitamente a vacina quadrivalente contra o HPV pelo SUS.
A dose aplicada antes dos 9 anos, porém, não será considerada parte do esquema de vacinação de rotina. Dessa forma, quando a criança atingir a idade prevista no calendário nacional, deverá ser imunizada novamente conforme as recomendações vigentes.
A vacina contra o HPV é oferecida rotineiramente pelo SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Também existem recomendações específicas para pessoas imunossuprimidas, pacientes oncológicos, transplantados e outros grupos definidos pelo Ministério da Saúde.
Vacina quadrivalente protege contra quatro tipos de HPV
A vacina quadrivalente utilizada pelo SUS protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV. Os tipos 6 e 11 estão principalmente associados às verrugas genitais, enquanto os tipos 16 e 18 estão entre os relacionados ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer. A vacina contra o HPV foi incorporada ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) em 2014, inicialmente para adolescentes.