Cultura
Pesquisa aponta barreiras para cineastas indígenas em editais de fomento
Pesquisa aponta entraves enfrentados por minorias no acesso a editais de fomento

Por: Matheus Ventura, Rafael Mouraria e Agência Brasil

Mulheres indígenas realizando a gravação de um filme em meio à floresta. À esquerda, uma mulher usa fone de ouvido e segura uma câmera de vídeo, apontada para o centro da cena. Ao lado dela, outra mulher segura uma vara com microfone (boom) erguida acima do grupo, também usando fone de ouvido. No centro, uma mulher opera outra câmera, filmando de perto. Outras duas mulheres observam a cena sentadas, uma à esquerda em primeiro plano e outra à direita. Ao fundo, vegetação densa de palmeiras e árvores da floresta.

Mulheres indígenas durante gravação de filme na floresta | Crédito: Divulgação|Aldeia Kwaruja

Uma pesquisa da Rede Katahirine, rede audiovisual de mulheres indígenas, revelou as principais barreiras que elas enfrentam para acessar editais de fomento ao audiovisual no Brasil.

Segundo o levantamento, que ouviu 60 cineastas de 40 povos indígenas, 81,7% das cineastas já apresentaram filmes em mostras ou festivais, o que evidencia o reconhecimento de suas obras. Ainda assim, 71,7% afirmam já ter desistido de concorrer a algum edital. Os principais motivos apontados são a burocracia (70%), o não atendimento aos requisitos de participação (43%) e a linguagem técnica dos editais (41%).

Para Mari Corrêa, idealizadora da rede, parte do problema está nas exigências documentais, que podem criar barreiras principalmente para quem vive em territórios indígenas. Editais que exigem que o candidato esteja vinculado a uma empresa ou produtora, em vez de permitir a inscrição como pessoa física, acabam restringindo ou até inviabilizando o acesso dessas cineastas ao financiamento.

Mari Corrêa também destaca que o cinema indígena segue a própria lógica de produção. “Os roteiros não são feitos da forma ocidental de entender um roteiro. A presença do coletivo é muito forte e as decisões são tomadas de modo menos hierarquizado, dentro da comunidade”, afirma, à Agência Brasil.

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