Desde sua estreia em 2019, Euphoria se consolidou não apenas como uma série de televisão, mas como um fenômeno cultural que definiu a estética e as ansiedades de uma era. Criada por Sam Levinson para a HBO, a produção mergulha sem filtros no universo de um grupo de adolescentes que navega por um labirinto de drogas, traumas, sexualidade e a busca frenética por identidade em um mundo hiperconectado.
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O coração da série está em Rue Bennett, interpretada por Zendaya em uma performance que lhe rendeu dois prêmios Emmy. Rue é uma jovem dependente química que luta para encontrar sobriedade e propósito após a morte do pai. Sua jornada é narrada por ela mesma, oferecendo um olhar íntimo sobre suas recaídas e sua relação intensa com Jules Vaughn, uma garota trans recém-chegada à cidade que se torna o catalisador de grandes mudanças na vida da protagonista.
Rue representa muito jovens que não conseguem lidar com a pressão, e acabam despejando suas frustações em drogas e acabando com seu o ciclo social, o que é bem representado em sua relação com sua mãe, que interpreta Leslie Bennett. Após anos de luta com tentando combater o vício da filha, Leslie desiste e prioriza sua saúde mental. Retratando uma realidade árdua sobre dependentes químicos, estudos apotam que quase 30 milhões de brasileiros têm alguém na família que é dependente químico, segundo dados citados em pesquisas de saúde.
Os demais personagens são retratados também por Rue, sobre um olhar simbólico e opinativo. Cassie é dita na série como uma adolescente que cresceu sem a presença do pai, e quais foram os impactos na sua vida. Maddy, por outro olhar é figurada como uma mulher que se mostra madura no enredo, porém com uma personalidade difícil de lidar e por vezes, narcisista. As relações na produção são expressadas por um grupo de jovens que apresentam traumas de infância e como tudo o que foi vivido no passado, pode refletir no presente.
Cassie, por exemplo, relata que a falta de uma figura masculina na infância pode desencadear dependência emocional fragilizada de maneira fácil e busca por aprovação. Segundo estudos, publicado no Portal da Transparência do Registro Civil, ao todo, foram 172 mil bebês registrados sem o nome paterno em um total de 2,4 milhões de nascimentos. Ou seja, 6,9% das crianças que nasceram no Brasil no ano passado apresentaram essa lacuna em suas certidões, o mesmo percentual verificado em 2024.
CONVERGÊNCIA – A série sempre foi aclamada por críticas, justamente por se tratar de conteúdos poucos falados na sociedade, como nudez, violência e uso de substâncias. Euphoria é frequentemente alvo de debates sobre o limite entre a honestidade artística e a glamourização do risco. No entanto, seus defensores argumentam que a produção abre conversas necessárias sobre saúde mental e os perigos enfrentados por jovens que crescem sob a vigilância constante das redes sociais e a pressão por perfeição.
A terceira temporada, lançada em abril desse ano (2026), sofreu mais ataques do que o comum em relação aos outros anos. Se destacando por reunir diferentes linhas de narrativa em um evento único. A direção de Sam Levinson usa o casamento como ponte de estrutura entre Cassie e Nate (personagem marcado por instabilidade de agressões e violência), para explorar conflitos, mantendo o foco entre tensão emocional e consequências.
As atuações seguem como ponto forte, especialmente na construção de personagens que transitam entre controle e vulnerabilidade. O roteiro, por sua vez, aposta em contrastes, celebração e crise, para sustentar o desenvolvimento dramático.
Para saber mais sobre os personagens da série, basta assinar o HBO para maiores informações.