Institucional
Do palco para a vida: como o teatro transforma a comunicação e a identidade
Durante a Semana da Comunicação, oficina explorou a "mentira verdade" e o uso das artes cênicas como ferramenta de autoconhecimento e presença

Por: Arthur Ramos, Giovana Bravi, Mariana Alves e Rayanne Jardim

O ambiente era de introspecção. No centro da sala, uma roda de alunos em pé dividia o espaço com uma trilha sonora dramática que preenchia os vazios do auditório. O silêncio só foi interrompido por uma provocação direta do professor: “Por qual motivo você está aqui?”. A pergunta deu início a uma das atividades mais sensoriais da Semana da Comunicação na FAPCOM, realizada na quinta-feira (16), focada na expressão teatral e na construção da identidade.

A proposta da oficina foi levar os estudantes para além das técnicas de oratória tradicionais, mergulhando no conceito da “mentira verdade”. Segundo a dinâmica apresentada, ser ator é ter a liberdade de ser muitas pessoas ao mesmo tempo. Ao buscar o teatro, o indivíduo muitas vezes procura dar voz a uma “versão escondida” de si mesmo. No palco, o ator utiliza máscaras para revelar verdades que, no cotidiano, costumam ser silenciadas pela timidez ou pelas convenções sociais.

Um dos temas centrais da oficina foi a superação da timidez por meio da arte. Como exemplo de transformação, foi citado o cantor Ney Matogrosso. Conhecido por ser uma pessoa extremamente discreta e reservada fora dos holofotes, o artista se transmuta ao subir no palco, onde ganha uma identidade imponente e confiança inabalável.

Para os futuros comunicadores, a lição foi sobre a força da presença. O palestrante ressaltou que existe um ápice na atuação: aquele momento raro em que o artista esquece quem realmente é para se tornar o personagem. “Isso não acontece sempre, é por um minuto apenas”, explicou, reforçando que essa entrega total é o que cria a conexão real com o público.

PRESENÇA CORPORAL – A atividade não ficou apenas na teoria. Em um momento de conexão profunda, os participantes foram convidados a tirar os sapatos para sentir o contato direto com o chão. O exercício de “sentir os pés na terra”, aliado ao controle da respiração e ao relaxamento progressivo do corpo, serviu para mostrar que a comunicação eficaz nasce de um corpo consciente e presente.

Ao soltar as tensões e focar no “aqui e agora”, os alunos puderam experimentar a base do trabalho de um comunicador: a capacidade de conectar-se consigo mesmo antes de tentar transmitir qualquer mensagem ao mundo. A oficina encerrou como um lembrete de que, seja no palco ou no estúdio, a comunicação é, antes de tudo, um ato de coragem e exposição da própria humanidade.



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