
Debate sobre comunicação reúne convidados na FAPCOM | Matheus França
A III Semana de Comunicação da FAPCOM abriu espaço para uma aproximação direta entre estudantes e o mercado. A “Feira de Profissões — Contato com o mercado” reuniu três profissionais da área para discutir carreira, transformações do setor e o papel estratégico da comunicação nas organizações.
Mediado pela professora Wanessa Scabora, o painel começou com a participação de Daniela Matos, formada em relações públicas e Diretora de Gente & Gestão na ZAMP. que trouxe uma reflexão sobre trajetórias profissionais. Segundo ela, ainda há uma visão equivocada de que carreiras seguem caminhos lineares. “A construção começa antes do primeiro emprego”, afirmou. Para a executiva, mais do que diploma ou talento, o diferencial está na capacidade de gerar valor. Curiosidade, consistência e coragem para aprender aparecem como fatores de crescimento, enquanto passividade, baixa comunicação e resistência a feedbacks limitam o desenvolvimento. “Quem cresce é quem resolve problema”, resumiu.
Na sequência, Haron Miquilino, também formado em relações públicas e estrategista do influenciador e ator João Guilherme, abordou as mudanças no comportamento do público e seus impactos no futuro da comunicação. Ele destacou a importância do repertório sociocultural e da observação constante das pessoas. Em entrevista, explicou que a comunicação atual se aproxima mais do entretenimento do que da publicidade tradicional. “A gente não quer ver publicidade, quer aprender, rir ou se distrair”, disse. Para ele, compreender padrões de comportamento, o que as pessoas consomem, como se expressam e com o que se identificam, é essencial para criar conexões reais. Networking e repertório, segundo Miquilino, são construções individuais e intransferíveis.
Encerrando o painel, Fabiana Ramos, CEO da Pine, agência de comunicação especializada em RP, trouxe uma visão estratégica sobre o impacto da comunicação no valor das empresas. Ao diferenciar imagem e reputação, destacou que a primeira é superficial e imediata, enquanto a segunda é construída no longo prazo, baseada em consistência e credibilidade. “Reputação é o que falam de você quando você sai da sala”, afirmou. Para ilustrar, citou marcas como Apple, Natura e Tesla, além de apresentar cases como o da Food To Save.
Entre diferentes perspectivas, o encontro reforçou que a comunicação deixou de ser apenas uma ferramenta operacional e passou a ocupar um papel central na construção de valor, reputação e relacionamento. Para os estudantes, o evento funcionou como um retrato direto das exigências de um mercado em transformação que reúne técnica, sensibilidade e entendimento humano.