Meio Ambiente
Sensor de baixo custo vai monitorar ar da Amazônia
Aparelho busca monitorar poluição, umidade e temperatura do ar em terras indígenas

Por: Duda Bessa e Júlia Borja

Com Agência Brasil

O Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), junto com a UFPA (Universidade Federal do Pará), apresentará nesta semana, durante o Acampamento Terra Livre, em Brasília, um novo sensor cujo objetivo é medir a poluição do ar.

Segundo o pesquisador do Ipam, Filipe Viegas Arruda, o equipamento contribuirá para ampliar a medição da qualidade do ar, além do controle de umidade e temperatura, programada pela Política Nacional de Qualidade do Ar (Lei 14.850/2024). “A gente quer que esse monitoramento seja feito além das cidades e alcance todas as categorias fundiárias como as comunidades tradicionais, unidades de conservação e propriedades rurais”, defende Arruda. 

Conforme o Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar 2025, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, em todo o país há 570 estações de monitoramento da qualidade do ar, das quais apenas 12 estão em terras indígenas.

O Ipam, em nota técnica, mostrou que em 2024, durante período de drásticas mudanças climáticas, foram registrados 138  dias de ar nocivo à saúde em estados da Região Amazônica. 

“Muitas vezes se tem a falsa ideia de que os indígenas e as pessoas da Amazônia respiram ar puro. Não é isso que vem acontecendo”, alerta especialistas.

 

A ideia é criar a RedeAr, a partir de setembro, para fiscalizar as alterações na qualidade do ar em comunidades tradicionais e áreas públicas da Amazônia Legal, para compreender os dados gerados com índices de atendimento de doenças respiratórias, da Sesai (Secretaria Nacional de Saúde Indígena) e do Telesaúde.

Foram distribuídos lotes com 60 sensores de tecnologia nacional, a partir da rede Conexão Povos da Floresta, que reúne além do Ipam, a Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), a Conaq (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas) e o CNS (Conselho Nacional de Saúde).

Felipe explica que, atualmente, o principal equipamento de pesquisa no Brasil é importado, tornando o custo final maior e dificultando a assistência técnica e sua garantia , especialmente em regiões descentralizadas. “A gente espera ter um grande engajamento para também ter programas de educação ambiental e fortalecer as políticas de prevenção e combate a queimadas.”

O sensor estará exposto na tenda da Coiab na programação do Abril Indígena, do Acampamento Terra Livre, que ocorre até o dia 11 de abril no Eixo Cultural Ibero-Americano, em Brasília.

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Equipamento de baixo custo medirá níveis de poluição na atmosfera | Reprodução Paulo Pinto: Agência Brasil

 

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