
Aprovação sofreu resistência de países membros colonizadores | Divulgação ONU
Com Agência Brasil
A Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou na última quarta-feira (25) resolução que reconhece o tráfico transatlântico de africanos escravizados como o crime mais grave já cometido. Documento apresentado pelo presidente do Gana, John Mahama, gerou a decisão de que os Estados-membros da organização devem considerar a apresentação de desculpas e contribuir para um fundo destinado à reparação.
A presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, realizou um discurso que lembrou o trabalho escravo em campos de cana-de-açúcar nos Estados Unidos, plantações de café em colônias sob controle europeu nos atuais Brasil, Barbados, Jamaica, e dezenas de lugares.
RESISTÊNCIA – A resolução enfrentou resistência de países como Estados Unidos, Israel e Argentina, que votaram contra, enquanto 52 nações em sua maioria europeias com histórico colonial, como Portugal, França e Reino Unido optaram pela abstenção.
Além da compensação financeira, o documento também enfatiza “que as reivindicações por reparações representam um passo concreto rumo à reparação das injustiças históricas contra os africanos e as pessoas de ascendência africana”.
A decisão solicita a restituição imediata de bens culturais, manuscritos e artefatos de origem africana. Segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres, a medida é um passo essencial para enfrentar os legados da escravidão, como o racismo estrutural e as barreiras que ainda impedem o pleno desenvolvimento de pessoas de ascendência africana.