No Brasil, cerca de 600 mil pessoas possuem diabetes tipo 1, em sua maioria mulheres adultas, mas, geralmente, o diagnóstico é realizado durante a infância ou na adolescência. O diabetes é decorrente da falta de produção de insulina, hormônio cuja função é facilitar a entrada de glicose no organismo sem que haja aumento de açúcar na corrente sanguínea. No diabetes tipo 1, a falta de insulina ocorre devido à autodestruição das células beta, responsáveis pela fabricação desse hormônio, fazendo com que a doença se torne autoimune. Os principais sintomas da DM1 são: fadiga, urinar em excesso, muita sede e emagrecimento contínuo.
De acordo com Valéria Mendes, enfermeira da UBS Parque Jandaia, na periferia de Guarulhos, o público mais atingido pela doença é o infantil. Ela explica que o tratamento realizado na UBS é planejado de acordo com as necessidades de cada paciente, desde a alimentação até os medicamentos necessários. Lá, são realizadas palestras para conscientizar a população e os respectivos pacientes sobre o diabetes, com a participação de endocrinologistas e nutricionistas, além da criação de infográficos distribuídos para os cidadãos da cidade. A UBS também garante os insumos fundamentais para o tratamento, como canetas de insulina, agulhas para as canetas, lancetas, glicosímetro (aparelho para medição da glicose) e fitas para o aparelho.
Além do depoimento de Valéria, a auxiliar de enfermagem Verônica Ferreira aponta que o desempenho da maioria dos pacientes é satisfatório, apesar de parte deles ainda resistir ao tratamento e não conseguir se adaptar completamente às novas condições. A profissional também relata que a falta de alguns medicamentos influencia, mesmo que indiretamente, o andamento do tratamento, pois muitos pacientes não possuem condições financeiras para continuar sem o auxílio do SUS. Por isso, é imprescindível que todos os insumos estejam devidamente estocados e abastecidos em cada UBS.
A fim de apoiar a causa, em 2022, a deputada federal Flávia Morais (PDT/GO) criou o Projeto de Lei 2687/2022, que classifica o diabetes mellitus tipo 1 como deficiência, mas o projeto foi vetado pelo governo, que alegou: “apesar da boa intenção do legislador, a proposição legislativa viola a Constituição, por contrariar a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que possui status de emenda constitucional e reconhece que a deficiência resulta da interação entre a pessoa e as barreiras sociais, e não de uma condição médica específica”.
Com isso, a gerente Elisa Fernandes declara a importância do PL, argumentando que o reconhecimento do DM1 como deficiência é considerável, pois muitas pessoas sofrem com limitações funcionais, precisando de cuidados especiais para prosseguir suas tarefas do cotidiano, como o monitoramento contínuo da glicose e a aplicação de insulina. Tais precauções podem influenciar ocupações do dia a dia, tanto no âmbito trabalhista quanto no social, por isso há a importância de reconhecer tais indivíduos como pessoas com deficiência.
IMPORTÂNCIA DA DATA – O Dia Mundial do Diabetes é comemorado para conscientizar e alertar os perigos da doença para aqueles que não a possuem, e, também, celebrar e parabenizar aqueles que sofrem com essa comorbidade diariamente, com o propósito de trazer mais visibilidade para o tema.
Supervisão: Prof. Antônio Iraildo Alves de Brito