Saúde
Diretriz inédita orienta profissionais de saúde no cuidado de pacientes com câncer e obesidade
Documento coordenado pelas ONGs Instituto Oncoguia e Obesidade Brasil tem parceria de 22 entidades

Por: Redação EntreFocos

Uma nova Diretriz de Câncer e Obesidade, lançada por um grupo de 13 organizações especialistas da área da saúde, chama atenção para uma relação ainda pouco discutida na prática clínica: o impacto da obesidade no risco, no diagnóstico e nos resultados do tratamento do câncer. O documento reúne evidências científicas e recomendações práticas para orientar profissionais de saúde no cuidado de pacientes que convivem com as duas condições.

O objetivo do documento é ampliar a visibilidade do tema e contribuir para uma assistência oncológica mais qualificada, integrada e livre de estigma “Esperamos que por meio de tantos profissionais envolvidos, a diretriz alcance nosso maior objetivo, que é oferecer um cuidado mais atento e eficaz para pessoas que convivem com câncer e obesidade” , afirma Luciana Holtz, presidente do Oncoguia.

Relação entre Câncer e Obesidade

Segundo o documento, a obesidade se consolidou como uma das principais condições crônicas de impacto global. Projeções internacionais indicam que, nas próximas décadas, 38% dos adultos estarão acima do peso e cerca de 20% terão obesidade, evidenciando o caráter epidêmico da condição.

A relação com o câncer é significativa. Estudos apontam que o excesso de peso corporal pode ser responsável por aproximadamente 13% dos novos diagnósticos de câncer em países desenvolvidos. Além disso, o aumento de 5 kg/m² no índice de massa corporal (IMC) pode elevar o risco de determinados tumores em até 56%.

No Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a obesidade está associada ao aumento da incidência de 13 tipos de câncer, incluindo mama, colorretal, fígado, ovário e endométrio, alguns dos tumores mais frequentes na população.


Desafios no diagnóstico e tratamento

Além de aumentar o risco de desenvolvimento da doença, a obesidade também interfere diretamente no cuidado oncológico. Entre os desafios estão limitações estruturais dos serviços de saúde, dificuldades em exames de imagem, barreiras técnicas em procedimentos diagnósticos e cirúrgicos e ajustes necessários em terapias medicamentosas.

A diretriz busca justamente orientar os profissionais para lidar com essas situações. Entre as recomendações, estão adaptações em métodos de
diagnóstico, considerações específicas para planejamento cirúrgico, manejo nutricional e realização de atividade física.

Outro ponto central do documento é a necessidade de uma abordagem humanizada no cuidado desses pacientes. O grupo ressalta que o estigma
relacionado ao peso ainda está presente em ambientes de saúde e pode impactar negativamente a experiência e a adesão ao tratamento.

Cuidado integral e multidisciplinar

A diretriz também reforça a importância de uma abordagem multidisciplinar, envolvendo diferentes especialidades no acompanhamento de pacientes com câncer e obesidade. Oncologistas, nutricionistas, psicólogos, cirurgiões, radiologistas e profissionais de atividade física, entre outros, têm papel essencial para garantir um cuidado integral.

Para os especialistas envolvidos na iniciativa, o objetivo do documento é apoiar decisões clínicas baseadas em evidências e contribuir para melhorar a qualidade da assistência prestada a esse grupo de pacientes.

Ao reunir recomendações práticas e atualizadas, a nova diretriz busca preencher uma lacuna importante na literatura médica e ampliar a discussão sobre a interseção entre duas condições que afetam milhões de brasileiros: o câncer e a obesidade.

“Acredito que a junção de tantas sociedades médicas e profissionais de saúde para a construção de uma diretriz sobre esse tema é algo inédito no país”, destaca a Dra. Andrea Pereira, cofundadora da ONG Obesidade Brasil.

O documento foi lançado em evento no último dia 26 de março, no mês de conscientização mundial da obesidade, e reuniu pessoas de 22 diferentes organizações que atuam no cuidado com pessoas com câncer e/ou obesidade. Desenvolvida no âmbito do Board de Câncer e Obesidade, a iniciativa foi coordenada pelas ONGs Instituto Oncoguia e Obesidade Brasil, com a participação do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), Painel Brasileiro de Obesidade (PBO), Sociedade Brasileira de Atividade Física (SBAFS), Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), Sociedade Brasileira de Nutrição Oncológica (SBNO), Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Sociedade Brasileira de Psico-oncologia (SBPO) e Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

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