
Alguns nomes que se envolveram nas idas e vindas dessas eleições foram o senador Cleitinho (Republicanos-MG), o ministro aposentado do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) e o coach Pablo Marçal (PRTB-SP) | Roque de Sá/Agência Senado / José Cruz/Agência Brasil / Pablo Valadares/Câmara dos Deputados / Reprodução/YouTube Pablo Marçal
As campanhas eleitorais deste ano mal começaram e muitos candidatos já saíram do pleito. A falta de apoio interno e de coligações, indecisões e fatores legais marcam os nomes das chapas que concorrem a uma vaga nos executivos nacional e estaduais.
O primeiro caso, esse definido um pouco mais cedo, foi o do candidato do PL (Partido Liberal) a Presidência da República, Flávio Bolsonaro. Após a condenação de Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe de Estado, que causou a inelegibilidade, a dúvida do bolsonarismo era de quem seria o melhor candidato para substituir o patriarca no pleito de 2026.
Muitos defenderam o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que desempenhava melhor nas pesquisas de intenção de voto da época. Além do governante, também foi mencionado o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Mas foi o primogênito que acabou escolhido, por meio de uma carta redigida pelo próprio Jair Bolsonaro. No entanto, apesar de assumir o posto, a revelação de conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro acerca do financiamento do filme Dark Horse voltou a trazer dúvidas à candidatura do “Bolsonaro moderado”.
Quando o senador finalmente foi definido como candidato, veio um susto no PL: a candidatura de Flávio não poderia ser registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) porque o político estava filiado ao partido Missão. O registro irregular foi corrigido e o bolsonarista foi oficializado candidato ao Planalto.
Tal rapidez na solução do cadastro da candidatura não foi vista na escolha do vice na chapa, uma novela que levou semanas e ventilou vários possíveis nomes na discussão.
Por conta da falta de apoio de partidos do centrão na chapa, como o Republicanos e Progressistas, que preferiram a neutralidade no âmbito nacional, Flávio perdeu duas opções de companheiras de candidatura: a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a ex-presidente da Caixa Econômica Daniella Marques (Republicanos).
No caso de Tereza, houve troca de elogios públicos de ambos os lados, mas quem batia o martelo era o presidente nacional do Progressistas, o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Neste caso, até a própria Michelle buscou o político para pedir um endosso à chapa, mas a neutralidade foi a resposta final.
Ao fim e ao cabo, uma mulher que poderia aproximar Flávio do eleitorado feminino não aconteceu, e foi decidido que o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) seria o vice do senador. O nome recebido com um pouco de surpresa buscou ampliar a projeção da chapa no Nordeste, além de apelar para a atuação do parlamentar na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS.
Dança das cadeiras no DC
Outro caso de indecisão nas eleições deste ano foi o nome do presidenciável pelo DC (Democracia Cristã), que contou com três pré-candidatos até a decisão final. A saga começou com o nome de Aldo Rebelo, o primeiro a ser lançado como cabeça de chapa do partido.
Tempos depois, o escolhido da sigla se tornou Joaquim Barbosa, ministro aposentado do STF (Supremo Tribunal Federal) e que levou a um conflito interno e à expulsão de Aldo — que foi contestada judicialmente.
No fim das contas, a primeira opção do partido saiu da sigla e decidiu coordenar a campanha de Ronaldo Caiado (PSD). Já Barbosa desistiu por não sentir que teria o palanque que gostaria, sobrando a Clariana Barão se tornar candidata à Presidência pelo DC.
Mineiros indecisos
Romeu Zema (Novo) já estava convicto de sua candidatura à Presidência da República — só faltava escolher o nome do vice. Algumas possibilidades foram ventiladas, como o mineiro ser vice de Caiado, Flávio ser vice do ex-governador de Minas Gerais e até mesmo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, possibilidade comentada por Zema.
No entanto, o escolhido para completar a chapa foi o senador cearense Eduardo Girão, principalmente após a crise com a formação do palanque no Ceará, que motivou a briga entre Michelle e Flávio Bolsonaro.
Outro mineiro que também ficou indeciso em sua candidatura foi o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) para o governo de Minas Gerais. Após um período de dúvidas, o parlamentar postou um vídeo em que afirmava que não iria concorrer ao Executivo estadual.
O político deu um passo atrás e expressou o interesse em ser candidato, algo que não agradou o presidente do partido, Marcos Pereira, que anunciou que a sigla não teria um nome no pleito em Minas. Cleitinho pediu, vieram articulações e Pereira decidiu por liberar que o deputado concorresse ao estado.
O problema dessa candidatura foi a perda do timing, o que custou o apoio do PL no estado. Com a indecisão de Cleitinho, o partido de Flávio Bolsonaro lançou Flávio Roscoe (PL-MG) como candidato ao governo, dividindo os votos da direita no segundo maior colégio eleitoral do país. Agora, a aliança só deve ser vista se um dos dois avançar ao segundo turno.
O terceiro da lista desse estado é o presidente do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) e deputado federal, Aécio Neves. O político mineiro foi cotado a se candidatar como presidente da República, o que não acabou ocorrendo, com o anúncio de que não concorreria a nenhum cargo neste ano.
No entanto, a decisão foi revertida na última sexta-feira (28), quando o deputado anunciou o lançamento da candidatura ao Senado Federal. A decisão veio após a insistência de interlocutores políticos e a saída de Marcelo Heringer (PDT) e Gustavo Galassi (PSDB), candidatos da chapa.
A volta e a queda de Marçal
Inelegível até 2032, o ex-candidato à Prefeitura de São Paulo, Pablo Marçal (PRTB), foi cadastrado como presidenciável pelo partido, com o presidente da sigla, Leonardo Avalanche, como vice.
Por meio de uma liminar, o coach lançou a candidatura de surpresa com a formalização no dia 15 de agosto. Até então, Avalanche era o pré-candidato da sigla.
Nesta segunda-feira (20), o TRE-SE (Tribunal Regional Eleitoral do Estado de São Paulo) negou o recurso movido por Marçal e manteve o status de inelegibilidade.