AGU Jorge Messias passou por sabatina na CCJ do Senado | Lula Marques/Agência Brasil
Na última quarta-feira (29), o governo de Luiz Inácio Lula da Silva sofreu uma perda histórica após o advogado-geral da União, Jorge Messias, ser rejeitado pelo Senado à vaga de ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).
A última vez que o nome de um indicado por um presidente da República foi recusado ocorreu em 1894, no governo de Floriano Peixoto, em que cinco nomeados não foram aceitos pelos parlamentares.
No entanto, o feito histórico não simboliza em si uma derrota para Messias, que conseguiu uma boa desenvoltura durante a sabatina na CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania), mas sim uma vitória, pelo menos por ora, de um nome político que possui um grande poder na Câmara Alta: Davi Alcolumbre (União-AP).
Antes mesmo de entrar na comissão, Messias já tinha seu destino definido, graças às articulações contra seu nome, seja pela oposição, chefiada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e companhia, ou pelo próprio Alcolumbre — que afirmou não atrapalhar o processo de análise do AGU, mas que nos bastidores agiu contra o nome do ministro.
O presidente do Senado possuía motivos para fazer campanha à recusa de Messias: o primeiro deles era o fato de o presidente Lula não indicar o nome que ele desejava, o do ex-presidente da Casa Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
Já o segundo ponto, esse ainda mais interessante a Alcolumbre, era fazer um aceno à oposição em busca de uma chance de se manter na liderança da Câmara Alta em um possível governo de Flávio Bolsonaro no próximo ano.
Com a possibilidade da troca para o nome do senador Rogério Marinho (PL-RN) no comando do Legislativo em uma volta dos Bolsonaros ao poder, o gesto do atual líder mostra um meio de buscar mostrar sua influência e cravar seu posto.
Como alguém que sabe transitar entre direita e esquerda muito bem, Alcolumbre sai desta semana com uma grande vitória contra o governo, enquanto deixa seu nome em destaque com a oposição. Porém, o político também fez um movimento arriscado ao se afastar de Lula, que ainda está no páreo para garantir um quarto mandato.
Enquanto o Planalto tenta calcular os ônus da perda e recalcular a rota, tanto em relação a uma possível saída de Messias da AGU, como com a indicação de um novo nome ao STF, Alcolumbre e o Legislativo aproveitam para colher os louros da vitória.
Como no Brasil tudo pode acontecer, principalmente em um ano de eleição, uma mudança de cenário pode acontecer de uma hora para outra, e Lula já mostrou que consegue cair e se reerguer várias vezes no jogo político, então tudo fica indefinido até a partida acabar.
Sob a supervisão da Profa. Rita Donato